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Energia Solar no Brasil

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Hoje, o mundo paga o preço de mais de um século de utilização deliberada de combustíveis fosseis como fonte de energia. A Revolução Industrial acelerou demasiadamente este processo no século passado.

Convivemos com as consequências desastrosas desse descaso no nosso cotidiano. Observamos o degelo das calotas polares, as catástrofes naturais sem precedentes, aumento das temperaturas das águas dos oceanos e dias batendo recordes de temperaturas.

Segundo a Revista Época, em 07/04/16, “o mês de março de 2016 foi o mais quente já registrado no Brasil”.

Na mesma publicação: “Segundo Assis Diniz, não dá para atribuir essa onda de calor apenas ao fenômeno cíclico El Ninõ […]. Para ele, os recordes recentes são consequências do aquecimento global. Isso faz parte de uma tendência maior. O gráfico abaixo mostra como as temperaturas médias do Brasil vêm subindo nos últimos anos”:

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Este aumento de temperatura traz consequências muitas vezes sem conexão aparente com ele. O Zika Vírus, por exemplo, que anteriormente era controlado, ganhou força e se alastrou pelo país no último verão. De acordo com Suzana Camargo, em janeiro de 2015, em publicação do Grupo Abril, o “aquecimento global aumenta a proliferação de mosquitos”. Segundo a matéria, cientistas da United Nations University, no Canadá, fizeram o primeiro Mapa Global de Vulnerabilidade do Vírus da Dengue ainda em 2015 e alertaram para o fato de que a medida que o clima do planeta aquece aumenta a incidência de doenças provocadas por mosquitos, porque os insetos se proliferam mais em temperaturas elevadas. O verão de 2016 foi a prova disso.

O aquecimento global desequilibra todo o ecossistema, o que impacta diretamente diversas questões, incluindo aquelas de saúde pública.

Isso sem citar as consequências geopolíticas, citadas por Al Gore em palestra para o TED em fevereiro de 2016. Ele explica como o aquecimento global influencia no aumento no número de refugiados, que, não encontrado condições favoráveis para sua sobrevivência (um solo onde é possível plantar, por exemplo), junto a uma guerra que dificulta ainda mais a sobrevivência, vão embora de suas terras natal.

O aquecimento global, como é de conhecimento, tem como principal causa a intensificação do efeito estufa, que é aumentado em razão da poluição do ar. Esta, por sua vez, é resultante de práticas humanas não sustentáveis, como a queima de combustíveis fósseis (carvão, petróleo, etc) e como o desmatamento de áreas para construção de hidrelétricas – ambas objetivando a geração de energia elétrica.

A geração de energia elétrica por meio das fontes ditas limpas, como o ar e o sol, é uma alternativa viável e real na diminuição do efeito estufa. Um sistema solar, por exemplo, deixa de emitir na atmosfera 81 gramas de CO2 por kWh gerado no país.

No Brasil, o uso da energia solar, ou energia fotovoltaica, é ainda mais adequado do que a eólica, tendo em vista que o nosso sol é ainda melhor do que o nosso vento.

Ainda, segundo reportagem da Carta Capital do final de 2015, “o Brasil é um dos poucos países do mundo que recebe insolação superior a 3.000 horas por ano”.

É comum ouvir, na área de energia solar, que o pior sol no Brasil é 40% melhor do que o melhor sol da Alemanha. No site panoramacomer.com.br encontramos que o a insolação da Alemanha é de 2,5 kWh/m2 enquanto no Brasil chegamos a 5,9 kWh/m2.

Entretanto, é a Alemanha o país que mais bate recordes diários de geração de energia solar. Em um dia de dezembro de 2015, por exemplo, 86% da energia gerada no país foi de fontes renováveis. Há, por lá, mais de um milhão de sistemas fotovoltaicos instalados. No Brasil ainda não aproveitamos nosso potencial como deveríamos.

Os investimentos em energia limpa têm aumentado exponencialmente nos últimos anos em detrimento do investimento em energias geradas a partir de combustíveis fósseis no mundo. E as previsões é que aumentem ainda mais nas próximas décadas, conforme demonstram os gráficos abaixo:

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O Brasil segue no mesmo caminho de crescimento, mas com bem menos força – os números brasileiros ainda são tímidos. A China, por exemplo, tinha capacidade instalada de 43.000 MW no final de 2015 (Folha de São Paulo, 22/01/16), passando a Alemanha na corrida por energia limpa, que em junho de 2015 tinha 35.500 MW de capacidade instalada. O Brasil, no mesmo período, tinha apenas 15 MW de capacidade instalada. É menos do que 0,05%! É inevitável ficar surpreso com os números, ainda mais se considerarmos que o ambiente climático brasileiro é muito mais favorável.

Este cenário, no entanto, nos mostra como será o futuro da energia solar no país: as previsões são bastante animadoras e apontam um crescimento exponencial. Segundo o site Portal Brasil, em publicação de janeiro de 2016, o Brasil estará entre os 20 países com maior geração solar em 2018. A estimativa, segundo publicação da Revista Época de 06/03/2016, é de que, em oito anos, mais de 1 milhão de brasileiros devem gerar sua própria energia.

A história mostra, no entanto, que essas estimativas devem ser superadas. Al Gore, em palestra para o TED, em fevereiro/2016, diz que a estimativa para 2010, em 2002, era ter 1GW de capacidade de energia solar instalado no mundo. Em 2010, a expectativa foi ultrapassada 17 vezes. Ano passado, 2015, a expectativa foi excedida 58 vezes. A estimativa para 2016 é que a expectativa seja excedida em 68 vezes.

Em 2012, com a Resolução Normativa 482, da Aneel, o Brasil deu o primeiro passo nessa direção: ficaram estabelecidas regras para micro e mini geração, permitindo que consumidores gerassem sua própria energia. O número de sistemas aumentou quase 100 vezes até meados de 2015, mas o número total continuava irrisório: 681 sistemas instalados. Hoje, estima-se 3.500 sistemas instalados.

Em 2014, houve a primeira contratação de energia solar de geração pública centralizada (890MW). Em 2015 mais dois leilões foram realizados, totalizando 2.653 MW contratados. Os leilões colaboraram para a popularização do sistema e trouxeram para o país fornecedores internacionais de sistemas solares e seus componentes. Mas o número ainda é ínfimo perto do potencial.

Em 2015 e 2016, depois de determinação do Confaz, alguns estados aderirem à isenção do ICMS para consumidores que gerarem sua própria energia, mas há descumprimento por parte das concessionárias e pouca fiscalização por parte da Aneel.

O Ministério de Minas e Energia lançou, em dezembro de 2015, o Programa de Geração Distribuída de Energia Elétrica (ProGD), mas de concreto pouco se viu.

Há ainda pequenos subsídios para importação de componentes de placas fotovoltaicas e linhas de financiamento específicas do BNDES para produtos produzidos no Brasil, mas as linhas de financiamento de outros bancos possui taxas de juros desanimadora.

Esse esforço ainda é pouco significativo e os preços dos produtos brasileiros ainda não são competitivos.

A maior parte dos equipamentos, portanto, ainda é importada. Assim, enquanto os valores dos equipamentos no mundo caem, no Brasil os valores dos equipamentos estrangeiros colocados no país sobem por causa da alta do dólar e ainda são abusivos por conta da conhecida alta taxa de impostos.

Os equipamentos são caros e, então, o payback da instalação dos sistemas fotovoltaicos ainda é considerado alto. O consumidor reconhece a importância da energia solar para o Meio Ambiente, entende que um sistema solar é capaz de minimizar os impactos causados por aumentos de tarifa de energia elétrica e que ele pode diminuir sua conta de energia se tiver um sistema solar, mas sua decisão para adquirir um esbarra no tempo de retorno de seu investimento.

A Resolução Normativa 687 é a promessa de que o cenário pode melhorar. Vigorando desde 01/03/2016, ela atualiza as diretrizes da 482, de 2012, e aumenta o máximo de capacidade instalada para mini geração de 1 para 5 MW Além disso, ela permite e regulariza três formas de compartilhamento de energia e diminui o tempo de resposta permitido as concessionárias.

A todo o momento nascem empresas brasileiras na área e diversos representantes de empresas estrangeiras estão abrindo representações comerciais no país. Isso mostra a crença do mercado no setor de energia solar. Por outro lado, o consumidor ainda é cético no que diz respeito aos benefícios, principalmente pelo alto custo.

A conclusão é de que ainda há muito a ser feito no que tange a políticas públicas. É preciso fornecer condições para o crescimento de um mercado com demanda reprimida, potencial de consumo e com grande importância para a manutenção da sustentabilidade do planeta.

ECOSOLAR ENERGIA INTELIGENTE

Em 28 de abril de 2016.

Fonte: www.ecosolar.com.br/noticia/energia-solar-no-brasil/