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NR-10 – Definição do sistema de aterramento

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A NR-10 em seu item 10.3 trata da segurança em projetos. Ao se desenvolver sistemas sob a ótica desse item, somos remetidos a diversas outras normas que, sendo seguidas, darão ao projeto a amplitude necessária não só para se atingir os objetivos desta NR, mas também para os aspectos de confiabilidade dos sistemas e da sua disponibilidade operacional.

A NR-10 cita a necessidade de um Memorial Descritivo de Projeto do sistema elétrico (Ver item NR-10.3.9), o que leva os projetistas, utilizando o bom senso e a experiência, a considerar para além dos objetivos exclusivos da segurança das pessoas, propiciando que os mesmos sejam completos em todos os aspectos que o projeto deve abranger.
Temos observado que muitas das não conformidades encontradas nas instalações existentes nasceram na fase de projeto e não foram corrigidas nas demais fases da implantação do sistema elétrico, encarecendo e dificultando a sua correção no presente. Os gestores das indústrias e dos seus sistemas elétricos precisam adquirir a cultura de investir num bom projeto e numa montagem adequada, fase em que qualquer alteração, adequação ou melhoria pode ser implantada com baixo custo e sem onerar grandemente os prazos do empreendimento. Há que se ter em mente que os custos totais dos sistemas elétricos variam entre 7 e 10% do custo total do empreendimento de uma instalação industrial típica (Unidades de sistemas elétricos de potência, Usinas geradoras e sistemas de distribuição em AT fogem a esses números pois o empreendimento é de natureza essencialmente elétrica). Pequenas economias pouco ou nada refletem no custo total do empreendimento.

Definição do sistema de aterramento: De maneira direta a NR-10 exige uma avaliação e definição, na fase de projeto, do sistema de aterramento a ser adotado para o sistema elétrico (condição do neutro dos transformadores, malhas de terra, condutores de proteção etc.) (Ver item NR-10.3.4 e 10.2.8.3), e também que sempre que for tecnicamente viável e necessário, devem ser projetados dispositivos de seccionamento que incorporem recursos fixos de equipotencialização e aterramento do circuito seccionado (Ver item NR-10.3.5). Essas definições e os intertravamentos operacionais necessários devem ser obrigatoriamente registrados nos diagramas unifilares. Exige de maneira indireta o aterramento de todas as partes metálicas não destinadas a condução de corrente elétrica que componham os equipamentos e/ou estejam presentes na proximidade dos equipamentos. Tudo isso nos remete à necessidade de se considerar adequadamente um correto dimensionamento das malhas de terra quanto às tensões de passo a que o sistema irá sujeitar as pessoas, bem como sistemas de equipotencialização das partes sujeitas à tensão de toque. O que exige um completo e amplo estudo do sistema de terra a ser adotado (Ver item NR-10.3.4 e itens correlatos da NBR 5410, NBR 14039, IEC 61936-1 e NBR 5419) o que nem sempre é feito como a devida amplitude.

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Este conjunto de artigos sobre a NR-10 foi extraído de um trabalho inicial denominado NR-10 – ITEM ESTRATÉGICO NA GESTÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS INDUSTRIAIS, elaborado por Luis Antonio Brito Leal, engenheiro eletricista pela E-PUSP/72, engenheiro associado da PDCA Engenharia (Elétrica – Instrumentação e Automação) (Campinas SP). Francisco Vitor Barbosa, engenheiro eletricista pela E-FEI/80 – sócio gestor da PDCA Engenharia (Elétrica – Instrumentação e Automação) (Campinas SP).

O objetivo deste primeiro trabalho publicado foi transmitir aos responsáveis pelos sistemas elétricos, principalmente das indústrias do Brasil, a experiência que os autores adquiriram no trabalho de avaliação da adequação desses sistemas à NR-10, que lhes deu a convicção de que a aplicação desta NR é um item altamente estratégico.
Ele se baseia no resultado de diversas avaliações de sistemas elétricos realizados, o que lhes permite apontar e relembrar aos engenheiros e projetistas, bem como aos gestores responsáveis pelos sistemas elétricos, alguns aspectos importantes do projeto, gestão, operação e manutenção dos mesmos, os quais muitas vezes não são aplicados. O trabalho não tem a pretensão, contudo, de cobrir todos os aspectos que devem necessariamente ser levados em conta nestas áreas, realçando apenas os aspectos oriundos da NR-10 que a tornam uma base sólida a ser seguida.